Insta vem de instante

O nome da rede social que mais consome o tempo da minha geração não foi escolhido por acaso. Está tudo na etimologia — e quem entende a etimologia ganha alguma vantagem de volta.


A engrenagem

A todo momento eu estou projetando o futuro, esperando o próximo acontecimento, criando expectativas, gerando ansiedade. O nome da rede social que orquestra essa máquina não foi por acaso:

Insta vem de instante.

BUM — consumi, gostei, ri, ignorei, compartilhei. A publicação morre no passado.

A cada atualização do feed, eu alimento a expectativa de uma nova oportunidade — a publicação que vai resolver alguma falta que eu nem consigo nomear. Essa publicação nunca chega. Não porque o algoritmo é ruim. Porque a falta que move o dedo não tem como ser resolvida por imagem nenhuma.


O que dá pra fazer com o algoritmo

O algoritmo serve quem o domina. O resto serve ao algoritmo.

Treinei meu feed pra me mostrar somente posts virtuosos — conteúdo de valor, gente séria, ideias que ficam. Mesmo assim, preciso me policiar pra não desviar o foco e cair em “perdição” — esses INSTANTes que parecem inocentes tomam grande parte do tempo.

A diferença entre o feed que devora o seu dia e o feed que adiciona alguma coisa é uma única coisa: quem treinou quem.


O que levar embora

A rede social vai existir. O tempo vai passar. A escolha real é entre domar e ser domado.

Quem entende a etimologia ganha uma vantagem prática: passa a saber que está sendo recrutado por instantes. Sabendo, dá pra mirar o uso. Sem saber, o uso mira você.

A diferença entre essas duas posições é a diferença entre uma hora bem investida no Instagram e três horas perdidas. Em um ano de uso, isso vira semanas de vida.


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